Relatório da PF revela tentáculos da ‘Orcrim’ de Ricardo Murad na imprensa do MA

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O relatório da Polícia Federal que fundamenta a Operação Sermão aos Peixes mostra que a organização criminosa comandada pelo ex-secretário Ricardo Murad (PMDB) também tinha ramificações na imprensa maranhense.

No documento, os investigadores detalham como a quadrilha acusada de saquear R$ 1,2 bilhão da Secretaria de Saúde do Maranhão tentava manipular a opinião pública por meio de blogs, jornais e discursos na Assembleia Legislativa do Maranhão, com o objetivo de desestabilizar o governo Flávio Dino e atrapalhar a moralização na saúde pública do estado promovida pela gestão do PCdoB.

O relatório descreve Ricardo Murad como “grande mentor de uma organização criminosa que tem por finalidade não só desviar verbas públicas, mas estabelecer uma estrutura de poder e de domínio político”. A partir daí os agentes federais listam nominalmente os tentáculos da “Orcrim” na imprensa.

“Ricardo se mostra como um articulador que tem trânsito em todos os poderes e instâncias administrativas; pauta os discursos de sua filha Andrea Murad na Assembleia; tenta manipular a opinião pública e desestabilizar o atual governo por meio dos blogs de Gilberto Leda, Marco d’Eça, Luís Cardoso, Zeca Soares, Luís Pablo e do Jornal O Estado do Maranhão”, diz o relatório.

 

Relatório da Polícia Federal descreve como a quadrilha comandada por Murad atuava na imprensa.

Relatório da Polícia Federal descreve como a quadrilha comandada por Murad atuava na imprensa.

Os delegados usam como caso concreto a licitação para a escolha das instituições incumbidas de administrar os hospitais da rede pública estadual, realizada pelo Governo do Maranhão no início deste ano. O resultado foi contestado pela deputada Andrea Murad, com ampla repercussão nos veículos de comunicação da oligarquia, mas a Justiça acabou por reconhecer a legalidade das contratações.

“Ricardo mobilizou uma estrutura com o fim de impugnar a licitação da Secretaria de Saúde. Utilizou-se de uma ação popular movida pela Assembleia, encabeçada por sua filha Andrea Murad; usou sua influência para tentar impugnar a licitação também pelo Tribunal de Contas do Estado e, por meio de um mandado de segurança movido por uma das concorrentes da licitação, a IDAC – Instituto de Desenvolvimento e Apoio à Cidadania, no qual o proprietário Antônio Augusto Silva Aragão tem estreitas relações com o investigado. Tentou manipular a opinião pública por meio de informações publicadas na imprensa e nos principais blogs”, descreve o texto enviado à Justiça Federal.

O relatório não deixa claro a que custo jornalistas, blogueiros e o jornal da família Sarney cumpriam as ordens do cunhado da ex-governadora Roseana, no entanto, dá a entender que estes eram peças fundamentais para o funcionamento da organização criminosa desbaratada na semana passada.

Fonte – Marrapa