Pindaré-Mirim – O Último Adeus ao 'Pau da Paciência', Patrimônio do Povo

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A figueira centenária da praça São Pedro, em Pindaré-Mirim, foi ao chão na manhã de quinta-feira (4). As motosserras barulhentas e impiedosas encarregaram-se de derrubar a árvore que há meses havia morrido, mas permanecia de pé já sem a copa robusta de outrora. 

Dona Raimunda Teixeira acompanhava, com lágrimas nos olhos, a derrubada da figueira. A aposentada de 70 anos diz que ajudou a cuidar do Pau da Paciência desde quando ela ainda era uma criança. “É muito triste ver essa cena, mas eu precisava estar aqui para dar o último adeus à minha companheira de longas datas”, lamentou a aposentada.

O prefeito de Pindaré, Walber Furtado, vereadores, secretários municipais, além de dezenas de moradores de Pindaré e de Santa Inês, cidade vizinha, participaram do ato simbólico de substituição do Pau da Paciência.


“Hoje é, ao mesmo tempo um dia de tristeza pela perda inestimável e de felicidade pela renovação das esperanças. Infelizmente, deixaram o nosso patrimônio natural morrer, mas, com apoio de toda a população, vamos revitalizar essa área e Pindaré será um disputado destino de turistas vindos de todas as partes do Brasil”, enfatizou o prefeito Walber.


O município de Pindaré-Mirim tem aproximadamente 32 mil habitantes, de acordo com o último senso do IBGE. O pequeno município no interior do Maranhão ficou conhecido em todo o país depois de reportagens exibidas em rede nacional sobre uma figueira solitária e com mais de cem anos de existência habitada por dezenas de bichos-preguiça. A árvore tornou-se ponto turístico e atraía milhares de pessoas que vinham de municípios e estados vizinhos.

O Pau da Paciência chegou a ser tombado como Patrimônio da Humanidade.


Nos últimos seis meses de 2012, a figueira agonizou, silenciosamente. A seiva já não atingia o topo da árvore e esta foi secando de cima para baixo.





A figueira de Pindaré era da espécie Sycomorus, conhecida popularmente como figueira-doida. Uma árvore com raízes profundas e ramos fortes que produzia figos de qualidade inferior às demais 755 espécies de figueiras existentes no mundo.


De acordo com o Laudo Técnico Ambiental, assinado pelo Engenheiro Agrônomo Reginaldo Evangelista,  o Pau da Paciência morreu vítima de ataques de Moscas Brancas. Os ataques comprometeram o estado fisiológico da árvore, deixando-a vulnerável a fungos, facilitando o acesso de doenças como a Ferrugem e o Cancro, por exemplo.


Ainda de acordo com o laudo, o centenário Pau da Paciência poderia ter sido salvo se fossem cumpridos métodos de controle de pragas, juntamente com a poda de ramos afetados, aplicação de calda e adubação de nutrição.


Uma nova figueira, filha da que foi retirada nesta quinta-feira (4), será plantada no local. O plantio deve ser feito depois que área for preparado para receber a planta. A previsão é de que o novo Pau da Paciência seja plantado em um mês.

Pedaços de galhos e do tronco do Pau da Paciência foram recolhidos por moradores que os guardarão como lembrança. O que sobrou será incinerado. Seu Alfredo Mendes não perdeu tempo e separou um pedaço da árvore para levar pra casa. Para o funcionário público, a árvore merece ser lembrada por que faz parte da história do município.



As informações são do Blog do Daniel Aguiar