Carnaval, Luz e Euzamar Medeiros


Paulo Rodrigues

Ao se aproximar o Carnaval começa a reinar o espírito da alegria dentro de cada um de nós. Há também uma explosão de colombinas, fofões, bandinhas pelas ruas da cidade através do Cortejo Carnavalesco, que está alimentando a alma cultural de nossa gente. Sabemos da necessidade de reorganizar o fazer artístico aqui.


Eu conversava a respeito desse tema com o Luís Henrique, poeta enorme, capaz de engrandecer nossos pensamentos com a força do verbo. De repente, começamos a falar sobre o mestre do samba Carlos Moreira de Castro, compositor e um dos fundadores da Mangueira. O nosso Carlos Cachaça inseriu os elementos históricos no samba, construindo uma narrativa poética das mais belas. 


Quando chegou a minha residência o seu Euzamar Medeiros, fundador da Escola de Samba Vila Sorriso, apaixonado pela noite, e dono de uma sapiência enorme na área da produção artística popular. Eu gosto de aprender sempre mais. Não perco tempo. Perguntei a ele: Como você avalia o momento histórico no qual vivemos?

– Paulo Poeta, eu acredito na salvação pela arte. Desde muito menino fiquei louco pela folia momesca, pelo boi, pelas atividades do povo. Faço com o maior prazer a nossa escola, os sambas, a batucada. Veja só que lembrei agora: “eu vou sorrindo, sorrindo eu vou/ tô alegre, tô contente/ para mostrar para essa gente/ Vila Sorriso chegou com o branco, o índio e o preto/ misturou e lá na Vila o preconceito acabou”. Vamos ampliar as luzes no coração. Vamos cantar com emoção.

Amo a força da palavra, a verdade no olhar dos mestres, por isso fico animadíssimo com as aulas todas recebidas, de forma tão simples, humilde, humana. Meu olhar foi ampliado com a luz do seu Euzamar!